Calor em cães e gatos
Por que o calor é um problema diferente para um animal
Uma pessoa adulta tem mais de dois milhões de glândulas sudoríparas. Quando esquentamos, o suor evapora em toda a superfície do corpo e leva calor junto. Esse sistema é extraordinariamente eficaz, e é por causa dele que a gente aguenta 35 graus.
O cachorro não tem esse sistema. As poucas glândulas dele ficam nos coxins das patas e não contribuem praticamente nada. O que sobra é ofegar: respirar rápido e superficial para evaporar líquido da língua e das vias respiratórias. Funciona, mas custa trabalho muscular — ou seja, gera calor por conta própria — e funciona cada vez pior quanto mais úmido está o ar. Em dia abafado, é esse caminho que cede primeiro.
O gato regula de outro jeito ainda. Ele quase não ofega, transpira só pelos coxins e lambe o pelo para a saliva evaporar. Mas acima de tudo ele regula escolhendo onde deitar. É por isso que no verão você o encontra no box do banheiro, na pia ou no piso do corredor. Não é manha: é o método dele.
E aqui está o detalhe que muda tudo no Brasil: os dois métodos dependem de evaporação, e a umidade alta bloqueia a evaporação. Em boa parte do país, nos meses quentes, é essa a condição normal — o que significa que cachorro e gato ficam sem o principal recurso deles justamente nos dias mais pesados.
Sobra para os dois um segundo caminho, no qual raramente se pensa: soltar calor pela parte de baixo do corpo, onde o pelo é fino e a pele encosta no chão. Esse caminho não depende de evaporação nenhuma. É exatamente para ele que serve uma superfície fria, e é a razão pela qual as mesmas quatro coisas voltam em quase todos os textos abaixo: sombra, ar em movimento, água e uma superfície que absorva calor.
Como a gente trabalha
Se citamos um número, é porque medimos, e dizemos junto com que instrumento e em que condições. Se um número circula por aí sem fonte verificável, a gente escreve isso em vez de repetir. Como fazemos os nossos testes está na página como testamos.
E não damos orientação veterinária. Não somos veterinários, e onde o assunto vira médico a gente escreve isso, com a observação de que o lugar certo é a clínica.
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