Guia

Cachorro com calor: reconhecer e agir na hora

Em uma emergência, primeiro isto: tire o seu cachorro do calor e comece a resfriar na hora, com a água que você tiver à mão, desde que esteja bem mais fria que ele — nas patas e nas pernas, com ar circulando. Nada de água gelada, nada de gelo. Resfriar primeiro, transportar depois: ligue para o veterinário enquanto resfria. Mesmo um cachorro que parece melhorar precisa ser examinado.
Retrato de Camila Ribeiro

Camila Ribeiro · Redatora, bem-estar animal e produtos para pets

Camila mora no Rio de Janeiro com um vira-lata e dois gatos SRD. O calor carioca vem quase sempre acompanhado de umidade alta, e é justamente a umidade que atrapalha o cachorro: com o ar saturado, ofegar deixa de dar conta. Há alguns verões ela testa na prática o que realmente ajuda os animais no calor e o que apenas parece ajudar.

Por que o cachorro é tão vulnerável a isso

Cachorro quase não tem glândula sudorípara. As poucas que ele tem ficam nos coxins das patas e rendem praticamente nada. A regulação de temperatura dele passa quase inteira por ofegar: evapora líquido da língua e das vias respiratórias, e essa evaporação leva calor junto.

Esse sistema tem dois pontos fracos. Ele custa trabalho muscular, então gera calor por conta própria — e funciona cada vez pior quanto mais úmido está o ar. Em um dia abafado de 28 graus o cachorro passa pior do que em 32 graus de calor seco. É por isso que o ar carregado antes da chuva e os ambientes mal ventilados são mais traiçoeiros que o número no termômetro. Em boa parte do Brasil, a umidade é a regra e não a exceção: aqui o cálculo tem que incluir os dois, temperatura e umidade.

O segundo caminho que sobra é soltar calor pela parte de baixo do corpo, onde o pelo é fino. É por isso que no verão os cachorros deitam no piso frio, no box do banheiro ou na área de serviço.

Os sinais no cachorro, na ordem em que aparecem

FaseComo reconhecerO que fazer
InicialOfega muito, fica inquieto, procura sombra ou piso frio, não quer mais andarTirar do calor, oferecer água, deixar descansar
ClaroOfega muito rápido com a língua larga, saliva muito, mucosas vermelho-vivas, batimento aceleradoComeçar a resfriar, ligar para o veterinário
CríticoAnda cambaleando, vomita, diarreia, mucosas vermelho-escuras ou azuladas, apatiaEmergência, direto para o veterinário
Risco de vidaDesmaio, convulsões, inconsciênciaSair na hora, continuar resfriando no caminho

A temperatura corporal normal de um cachorro fica entre 37,5 e 39 graus. A partir de 40 já se fala em hipertermia, e a partir de 41 é crítico. Vale ter um termômetro em casa, e a medição é retal.

Os quatro passos que contam

Um: tirar do calor. Sombra, cômodo fresco, ar circulando. Muitas vezes só isso já rende mais que todo o resto junto.

Dois: ligar — e resfriar antes de sair. Ligue para a clínica enquanto começa a resfriar, não depois. Eles dizem se e com que urgência você precisa ir. A conduta que o Royal Veterinary College recomenda é resfriar primeiro, transportar depois: começar em casa e continuar no caminho rende mais do que sair correndo com o cachorro quente dentro do carro.

Três: resfriar rápido, de baixo para cima. O Royal Veterinary College recomenda usar a água que você tiver à mão, desde que esteja mais fria que o cachorro, e resfriar depressa — não devagar. Nas patas e nas pernas primeiro, depois barriga e parte interna das coxas. Para cães jovens e saudáveis a recomendação é a imersão em água fria; para cães idosos ou com algum problema de saúde, jogar água por cima combinada com ar em movimento: um ventilador, uma corrente de ar, o ar-condicionado. Uma toalha úmida por cima ajuda, mas não enrole o cachorro nela — cobrir o corpo inteiro pode travar o ar e reduzir a saída de calor.

Quatro: deixar beber sem forçar. Ofereça pequenas quantidades de água. Um cachorro que cambaleia ou está inconsciente nunca deve receber água.

Esse protocolo não é opinião nossa: no levantamento de Hall, Carter, Bradbury e colegas publicado em Veterinary Sciences em 2023, com casos do Reino Unido entre 2016 e 2018, entre os cães cujo resfriamento foi documentado apenas 21,70 % tinham sido resfriados antes de chegar à clínica, e só 23,97 % por um método recomendado. A toalha molhada foi o mais usado, em 51,31 % dos casos, e resfria mais devagar que a imersão.

Os quatro erros que pioram tudo

Água gelada ou gelo sobre o corpo. Frio intenso contrai os vasos da pele. Sai menos calor, por mais que a sensação seja o contrário, e a circulação fica ainda mais sobrecarregada. Atenção à diferença: água fria é justamente o que se recomenda — o que está descartado é a água gelada e o gelo aplicado por fora, sobre o cachorro. Isso não é a mesma coisa que um cubo de gelo mastigado num dia de calor comum: a diferença está logo abaixo, em gelo faz mal para cachorro.

Enrolar o cachorro em um cobertor molhado. O que parece resfriamento funciona como isolamento: o calor fica preso embaixo.

Começar pela cabeça. Comece pelas patas. Água na cabeça e no pescoço de um cachorro sonolento pode entrar nas vias respiratórias.

Parar assim que parece melhorar. Uma insolação pode danificar órgãos, e esse dano às vezes só aparece horas depois. Mesmo um cachorro que voltou a ficar alegre precisa ser examinado.

Gelo faz mal para cachorro? Comer é uma coisa, jogar por cima é outra

Essa dúvida junta dois gestos diferentes debaixo da mesma palavra.

Um cachorro que lambe ou quebra um cubo de gelo, ou que acha alguns na vasilha, está recebendo água fria aos poucos e por dentro: o gelo derrete na boca e o corpo absorve no ritmo dele. Num dia de calor comum, desses que aqui não têm nada de excepcional, é um refresco banal. Os cuidados são dois, e ambos se conferem olhando: fique por perto enquanto ele mastiga, e ofereça pedaços que ele quebre em vez de engolir inteiros, porque cachorro afobado engasga com coisa dura. A RSPCA, associação britânica de proteção animal, classifica como mito a ideia de que cubo de gelo é perigoso.

Jogar água gelada em cima do cachorro é outro gesto, e é esse que está na lista de erros acima. O frio não passa pela boca, bate direto na pele: os vasos da superfície se fecham e o calor que precisava sair por ali deixa de sair. Parece resfriar, e faz o contrário.

Em uma linha: o gelo que o cachorro come por vontade dele refresca; o frio intenso aplicado por fora, sobre a pele, atrapalha a saída do calor.

Uma ressalva que muda tudo: se a suspeita é de insolação, nada disso se aplica. Ali o assunto é resfriar o corpo depressa e ligar para a clínica, não dar gelo para ele comer.

E o cubo acaba: o cachorro volta para o mesmo chão quente. O que ele procura o dia inteiro é uma superfície onde deitar e soltar calor por baixo — é isso que um tapete gelado oferece, no lugar que você escolher e sem congelador. O uso diário está em como usar o tapete gelado.

Quais cachorros correm mais risco

Antes de qualquer lista: o cachorro mais comum do Brasil é o vira-lata, cerca de um quarto de todos os cães do país. Ele não aparece em classificação de raça nenhuma, e não precisa aparecer — porque o que decide não é a raça, é como o cachorro é construído. São três características, e você confere as três no seu próprio cachorro, com ou sem pedigree.

O pelo. Pelo longo ou subpelo denso, como em um golden retriever ou em um pastor alemão, atrasa a saída do calor. No verão, escovar a fundo ajuda mais do que tosar.

Cachorro de pelo longo deitado em um tapete gelado Frimouf Ice azul
Pelo longo e denso: pouco caminho para o calor sair.

O focinho curto. É o que pesa mais, e no Brasil isso não é detalhe: o Shih Tzu é a raça mais comum do país, e o Pug e o Buldogue Francês também estão entre as mais criadas. Nesses cães ofegar é ineficiente — ou seja, falha justamente o caminho principal pelo qual um cachorro perde calor.

A massa corporal. Um cane corso ou outro molosso tem muito volume para relativamente pouca superfície de pele, e isso deixa o resfriamento mais lento. O mesmo vale para qualquer cachorro acima do peso.

Se o seu é vira-lata, é simples: olhe as três características acima — pelo, focinho e massa — mais idade e peso. Elas dizem tudo o que uma raça teria dito. Se você quiser o quadro raça por raça, com o nível de risco de cada uma, ele está em quais raças sofrem mais com o calor. E se o seu cachorro já passou dos oito ou nove anos, o calor pesa por outro motivo, explicado em pets idosos no verão.

Buldogue francês ofegante em um tapete comum, sem tapete gelado

Prevenir é a única estratégia que funciona

Quando a insolação já aconteceu, alguma coisa já deu errado antes. O que realmente ajuda é banal e funciona: passe o passeio para o começo da manhã e o fim da noite. Encoste as costas da mão no asfalto e conte cinco segundos: se está quente demais para você, está quente demais para os coxins dele — e no Brasil um asfalto de meio-dia queima pata em poucos segundos. Leve água sempre. E nunca deixe o seu cachorro sozinho em um carro parado: nem rapidinho, nem na sombra, nem com o vidro entreaberto.

Some a isso um lugar fresco para ele se recolher em casa. Um cachorro que vai deitar sozinho no piso do corredor está te dizendo exatamente do que precisa. Um tapete gelado não é outra coisa senão essa superfície, em um lugar que você escolhe, e que dá para levar junto. Como ele funciona fisicamente está na página como funciona o tapete gelado.

Vira-lata dormindo em um tapete gelado Frimouf azul, sobre o piso
O lugar fresco onde ele já deita: no piso, o calor também consegue sair por baixo.

Uma coisa precisa ficar clara, porque aqui isso conta: o tapete é prevenção. Ele não trata insolação e não substitui o veterinário.

A rotina completa de prevenção — horário do passeio, sombra, água, pelo, ar em movimento — está reunida em como refrescar seu cachorro no calor. Esta página aqui é sobre reconhecer e agir quando já está acontecendo; aquela é sobre não chegar até aqui.

Perguntas frequentes

A partir de que temperatura um cachorro corre risco de insolação?

Não existe um limite fixo, porque umidade, pelo, idade e formato do focinho também pesam. A partir de 25 graus já vale atenção, e a partir de 30 com certeza para raças de focinho curto, cães de pelo longo, filhotes, cães idosos e animais acima do peso. E a umidade muda tudo: um dia abafado de 28 graus é pior para o cachorro que um dia seco de 32. Dentro de um carro parado, mesmo com 20 graus lá fora, pode virar fatal em meia hora.

O que eu faço primeiro se suspeitar de insolação?

Tire o seu cachorro do calor imediatamente, para a sombra ou um cômodo fresco, e ligue para o veterinário enquanto começa a resfriar. Não resfrie primeiro para pensar depois: uma insolação pode danificar órgãos internos, mesmo que o cachorro aparentemente melhore.

Posso jogar água fria no meu cachorro?

Pode, e é o que o Royal Veterinary College recomenda hoje: use a água que você tiver à mão, desde que esteja mais fria que o cachorro, e resfrie depressa. Água gelada, não: frio intenso demais contrai os vasos da pele, sai menos calor e a circulação fica ainda mais sobrecarregada. Comece pelas patas e pelas pernas, nunca pela cabeça, e deixe o ar circular — um ventilador ou uma corrente de ar aumenta a evaporação.

Gelo faz mal para cachorro?

Comer, não. Um cachorro que lambe ou quebra um cubo de gelo, ou que acha alguns na vasilha, está recebendo água fria aos poucos e por dentro, e num dia de calor comum é um refresco banal. Basta ficar por perto enquanto ele mastiga e oferecer pedaços que ele quebre em vez de engolir inteiros. O que está descartado é outra coisa: jogar água gelada em cima dele, que fecha os vasos da pele e trava a saída de calor.

Então por que esta página diz para não usar gelo nos primeiros socorros?

Porque ali o cachorro já está em insolação, e o gelo entra de outro jeito: água gelada por cima, ou bolsa de gelo encostada na pele. O frio intenso aplicado por fora fecha os vasos da superfície e faz sair menos calor, justamente quando ele precisa sair depressa. Um cubo mastigado num dia de calor comum não é esse gesto. Em emergência vale água fria, ar circulando e ligar para a clínica.

Um tapete gelado previne insolação?

Ele ajuda a não chegar lá, porque dá ao seu cachorro uma superfície para soltar calor nos dias quentes. Mas não é item de emergência. Se o seu cachorro apresenta os sinais de insolação, o lugar dele é no veterinário, não em cima de um tapete.

Este texto não substitui a avaliação de um veterinário. Se você suspeitar de insolação, procure imediatamente uma clínica veterinária ou um pronto-socorro veterinário.

Frimouf Ice

Um lugar fresco, antes de virar crítico

Seda gelada sem gel, sem eletricidade e sem geladeira. Quatro tamanhos, de 50 × 40 cm a 150 × 100 cm, quatro cores, a partir de R$ 139,90.

Escolher tamanho e cor

7 dias para desistir · Sem gel, sem eletricidade · Resposta em até 24 h

A partir de 139,90 R$ 4,5 (1226 avaliações) Frete grátis Pagamento seguro Garantia de 30 dias Ver oferta →