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Transportar cachorro no carro: como fazer no calor

A regra que não tem exceção: nunca deixe o seu animal sozinho em um carro parado. Nem rapidinho, nem na sombra, nem com o vidro entreaberto, nem com um tapete gelado. O interior esquenta cerca de vinte graus em meia hora: com 30 graus lá fora, passa de 50. Um tapete passivo nunca fica mais frio que o ar em volta — se esse ar chega a 50 graus, o tapete chega junto. Deixar um animal em um carro no sol pode ser enquadrado como maus-tratos, conduta prevista na Lei 9.605/1998 e com pena agravada para cães e gatos pela Lei 14.064/2020.
Viu um animal em situação de risco dentro de um carro? Ligue 190 e chame a Polícia Militar. Não quebre o vidro por conta própria: registre, chame, e fique no local.
Retrato de Camila Ribeiro

Camila Ribeiro · Redatora, bem-estar animal e produtos para pets

Camila mora no Rio de Janeiro com um vira-lata e dois gatos SRD. O calor carioca vem quase sempre acompanhado de umidade alta, e é justamente a umidade que atrapalha o cachorro: com o ar saturado, ofegar deixa de dar conta. Há alguns verões ela testa na prática o que realmente ajuda os animais no calor e o que apenas parece ajudar.

Antes do conforto: o que a lei exige

Muita gente procura como transportar o cachorro no carro pensando só em conforto, e descobre depois que existe uma parte obrigatória. O Código de Trânsito Brasileiro trata do assunto por dois caminhos, e os dois geram multa e pontos na carteira:

Animal nas partes externas do veículo. Cachorro na caçamba da picape, na carroceria ou com a cabeça para fora em movimento entra aqui. Além da infração, é a forma mais comum de acidente grave com animal: uma frenada basta.

Animal que atrapalha a condução. Cachorro no colo do motorista, entre os braços ou circulando solto pelo carro. Um animal solto também vira um projétil em uma colisão — e um cachorro de 20 kg a 60 km/h chega ao banco da frente com uma força que ninguém segura com o braço.

O que resolve os dois de uma vez é simples e não é caro: caixa de transporte firme presa ao banco, cinto de segurança para pet com peitoral (nunca preso na coleira do pescoço), ou uma grade separando o porta-malas. Escolhida a forma, aí sim entra o resto — e no Brasil o resto é quase sempre o calor.

Na estrada, três das quatro técnicas caem fora

Em casa dá para discutir qual técnica é preferível. No carro e na viagem a escolha se faz sozinha, porque cada uma delas esbarra no próprio limite.

TécnicaO problema na estrada
GelSob pressão ou com a capa danificada, pode vazar no estofamento e no fundo do porta-malas. Uma mancha no banco de trás custa mais que o tapete.
Cheio de águaPrecisa ser enchido e esvaziado, pesa bastante, e uma costura que ceda significa água dentro do carro.
Do congeladorPrecisa de um congelador. Numa casa alugada, talvez; dentro do carro, nunca.

A seda gelada, ao contrário, dobra, pesa pouco e não tem líquido nenhum que possa vazar: este é o único uso em que ela não é apenas equivalente às outras, e sim claramente mais adequada. A comparação completa entre as técnicas está em gel ou seda gelada.

Tapete gelado Frimouf azul no fundo do porta-malas aberto de uma perua

Na estrada: banco de trás, porta-malas ou caixa de transporte

No banco de trás o tapete fica esticado sobre o estofamento. Bancos de carro acumulam calor e não o soltam para baixo, e é justamente aí que a diferença aparece mais.

No porta-malas de uma perua você vai precisar do tamanho G ou GG, porque ali o cachorro quase sempre deita esticado. Proteção solar no vidro traseiro pesa mais que qualquer outra coisa: sol direto pelo vidro transforma o porta-malas no ponto mais quente do carro.

Na caixa de transporte o calor fica preso mais rápido que em qualquer outro lugar, e o fundo é quase sempre plástico duro. O tapete dobra na medida da caixa e não enrola.

Gato rajado em um tapete gelado Frimouf azul, no fundo de uma caixa de transporte aberta
Na caixa de transporte: o fundo de plástico duro fica coberto e o tapete não enrola.
Labrador em um tapete gelado Frimouf marrom, no banco de trás do carro
No banco de trás: o estofamento acumula calor, o tapete leva embora.
Tapete gelado dobrado ao lado de uma bolsa de viagem e de um bebedouro dobrável
O que colocar na mala.

Para a viagem em si valem as regras de sempre: ar-condicionado ou vidros abertos, paradas na sombra, água ao alcance. O tapete trabalha junto com isso, e torna utilizável aquilo que o animal tem embaixo dele durante horas.

A viagem: o que levar na mala

Uma casa alugada quase nunca está preparada para um animal. O piso é desconhecido, o canto de sempre não existe, e no litoral as temperaturas costumam ser mais altas que em casa.

O que ajuda é banal e funciona: uma superfície conhecida, que cheire a casa e que você possa estender em qualquer lugar. É exatamente para isso que serve um tapete dobrável. Conselho prático: comece a usar em casa algumas semanas antes de viajar. Na hora, o seu animal deita nele porque já conhece — em um cômodo que ele não conhece.

Junto vão um bebedouro dobrável e o hábito de passar o passeio para o começo da manhã e para a noite. O resto está em como refrescar seu cachorro, e para gatos em como refrescar seu gato.

Areia, pelo e água do mar

Depois da praia: sacuda a areia enquanto o tapete ainda está seco, é assim que ela sai melhor. Água do mar precisa ser enxaguada, porque o sal ataca as fibras com o tempo.

Para uma limpeza a fundo basta lavar em água fria, ciclo delicado, e secar ao ar livre. Nada de secadora, e nada de amaciante: ele deixa uma película sobre as fibras e atrapalha exatamente o que o tapete precisa fazer, que é absorver e conduzir calor.

Duas palavras sobre a parada no posto

A regra lá em cima quase nunca cai durante um passeio: ela cai durante uma parada. Só ir ao banheiro, só pegar um café. Cinco minutos viram dez porque tem fila no caixa.

Leve o seu cachorro junto, mesmo que seja incômodo, ou viaje em dois para alguém ficar no carro com o ar-condicionado ligado. Não existe versão dessa situação em que um tapete resolva o problema.

Perguntas frequentes

Como transportar cachorro no carro corretamente?

Preso e no lugar certo. O Código de Trânsito Brasileiro proíbe levar animais nas partes externas do veículo, e também proíbe dirigir com um animal que atrapalhe a condução — cachorro no colo do motorista, por exemplo. As duas coisas são infração, com multa e pontos. Na prática o que funciona é: caixa de transporte firme, cinto próprio para pet com peitoral, ou uma grade separando o porta-malas. E, no calor, uma superfície que não esquente embaixo dele.

Posso deixar meu cachorro no carro um minutinho se tiver um tapete gelado?

Não. Um carro parado esquenta cerca de vinte graus em meia hora e trinta em uma hora, quase independentemente da temperatura inicial: com 30 graus lá fora, o interior passa de 50. Nenhum tapete compensa isso, porque um tapete passivo nunca fica mais frio que o ar em volta: se esse ar chega a 50 graus, o tapete chega junto, mais cedo ou mais tarde. Vidro entreaberto quase não muda nada.

Qual tapete gelado serve para o carro?

Um sem líquido dentro. Tapetes de gel podem vazar no estofamento sob pressão ou se a capa se danificar, os de água precisam ser enchidos e pesam bastante, e os de congelador precisam de um congelador que você não tem na estrada. Tecido costurado dobra, pesa pouco e não tem nada a perder.

Como limpo o tapete na viagem?

Para areia, poeira e pelo, um pano úmido basta. Para uma limpeza a fundo: máquina em água fria, ciclo delicado, e secagem ao ar livre, nunca na secadora. Ele seca rápido o bastante para ser usado no dia seguinte.

Posso colocar dentro da caixa de transporte?

Pode, e é um dos lugares em que ele mais rende. Dentro de uma caixa fechada o calor fica preso rápido e o fundo é quase sempre plástico duro. O tapete fica esticado, não enrola e dobra na medida da caixa.

O que fazer quando a insolação já começou está na página cachorro com calor. Este texto não substitui a avaliação de um veterinário, e as regras de trânsito devem ser conferidas na versão vigente do Código de Trânsito Brasileiro.

Frimouf Ice

Dobra, pesa pouco, não tem líquido dentro

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